COSMOGRAFIAS E LENCINHOS
A Lança Galeria apresenta, de 22 de agosto a 2 de outubro de 2026, a exposição Cosmografias e Lencinhos, individual de Adalgisa Campos, com curadoria de Sylvia Werneck.
A mostra reúne trabalhos em que desenho, corpo, medida e memória se articulam a partir de diferentes suportes, técnicas e escalas. Na produção de Adalgisa, o desenho não se limita ao gesto sobre o papel: ele aparece também na medição de espaços, na transferência de plantas, no recorte de superfícies e na construção de relações entre corpo e território.
Partindo de espaços próximos e vividos, como casas, quartos, escadas e fragmentos de chão, a artista constrói uma espécie de cartografia particular. Suas medidas não pretendem estabelecer uma representação neutra do mundo, mas registrar a posição de um corpo diante dele, atravessada por experiência, memória e circunstância.
Nos Desenhos cosmográficos, linhas, grades, cores e referências espaciais se sobrepõem sem se anularem, criando imagens em que diferentes registros permanecem simultaneamente visíveis. Já os lencinhos, alguns deles pertencentes à mãe da artista, deslocam essa investigação para uma escala íntima e afetiva, aproximando corpo, cotidiano e memória.
Como observa Sylvia Werneck no texto curatorial, o termo “cosmográfico” não designa, para Adalgisa, uma descrição do mundo, mas uma inscrição no mundo. O título da exposição nasce justamente desse encontro de escalas: de um lado, a tentativa de escrever e medir o mundo; de outro, pequenos pedaços de tecido que cabem na mão, no bolso e permanecem junto ao corpo.
Adalgisa Campos | Cosmografias e Lencinhos
Curadoria: Sylvia Werneck
22 de agosto a 2 de outubro de 2026
Terça a sexta, das 14h às 19h30
Lança Galeria
Rua Major Sertório, 88, conjunto 502
Vila Buarque, São Paulo
Na série Caminhos do Ferro, Gregório Soares trabalha com placas de concreto e fragmentos metálicos incorporados à superfície. As peças são pequenas, medem 25 x 25 cm, mas carregam uma presença que não depende da escala. Há nelas uma relação direta com o peso dos materiais, com o tempo inscrito nas coisas e com aquilo que permanece depois que um objeto deixa de cumprir sua função original.
A produção de Karla Melani se organiza a partir de uma compreensão da imagem como estrutura ativa, capaz de instaurar regimes de percepção e de operar diretamente na construção do real. Sua pesquisa se concentra na escanografia como linguagem, não como recurso técnico, mas como dispositivo que redefine o modo de produzir e experimentar a imagem.
Giorgia Volpe na Manif d’art 12: escutar a cidade
Entre as muitas estratégias pelas quais a arte contemporânea tenta tornar sensível aquilo que permanece invisível nas estruturas sociais, poucas são tão discretas e incisivas quanto as propostas de Giorgia Volpe. Nascida em São Paulo e radicada em Quebec desde o final dos anos 1990, a artista desenvolveu ao longo de décadas uma prática marcada por ações mínimas, objetos relacionais e intervenções que se infiltram na vida cotidiana. Sua participação na Manif d’art – Biennale de Québec reafirma essa vocação para operar no limiar entre gesto poético e leitura crítica do espaço social.
O quintal aparece antes do discurso. Um pedaço de terra irregular, um animal que observa à distância. Nada ali parece pedir interpretação imediata. A cena se impõe pela familiaridade e, ao mesmo tempo, por uma estranheza discreta, como se aquilo que se reconhece não pudesse mais ser nomeado com precisão. É nesse intervalo, entre o que se lembra e o que escapa, que o trabalho de Isabella Siqueira se instala.
A obra de Giorgia Volpe nasce de uma atenção minuciosa aos movimentos discretos do mundo. São gestos quase imperceptíveis, objetos que pertencem ao cotidiano e materialidades que acompanham a vida comum. Ao segui-los, a artista não busca o detalhe pelo seu caráter ilustrativo, mas pela consciência de que é ali, no pequeno, que se inscrevem as forças que moldam nossa experiência sensível.
Na produção de Marcio Marianno, a pintura se apresenta não apenas como meio expressivo, mas como campo de afirmação existencial e elaboração de memória.

